| Há navios
duros como aço. Navio feito de névoa no mar e há até,
navio insinuado nas nuvens anunciadas no céu.
O que será que vemos nas fotografias? As marcas de um real que não pudemos observar e alguém o fez por nós? Se a fotografia diz respeito às coisas ausentes, a nós caberia reconhecê-las, na medida em que a situamos num universo familiar? Será que a fotografia é um convite, uma passagem de ida para um lugar intangível? O que nos é dado conhecer por seu intermédio? Identificamos a manifestação criativa de um autor? Pensamento, fruição, memória e imaginação comparecem, nem sempre de forma equilibrada, nas imagens que nos incitam à revisão do mundo. As fotografias da arquiteta Elaine Ramos são projetos que nos provocam a ler as coisas de maneira diversa. Demonstrando conhecer seu ofício, ela revela as qualidades de cidades não mais visíveis. Na série luz a grafia da luz que violenta o escuro, tocando em pessoas, não as retira do anonimato: aqueles personagens (do balcão do bar, da rua) são parceiros da escuridão dos espaços. Os viadutos; musicalizados - são a urbana forma da sinuosidade, o duro rastro das longas curvas, mudando gradualmente os nossos rumos na cidade. Elaine Ramos propõe outras esquinas no céu de São Paulo. Nos Elevados, as intrincadas tramas da paisagem, dividindo não só a profundidade de planos, mas também, em camadas superpostas, a cidade, o que mais impressiona são as travessias que somos levados a realizar. Cidade a vencer, registros de vida em movimento. Luís Antônio Jorge |