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MEMÓRIA
NAS COISAS
Neste seu trabalho, Inaê Coutinho, consegue
juntar suas duas paixões: a cor e a fotografia. Não a cor
embelezadora, ou que nos distrai do conteúdo, mas a revelada pela
luz e que nos guia por suas sutilezas.
Imagens delicadas, realizadas num velho casarão de Minas: detalhes
que nos contam sua história. Oque importa, na realidade, é
a síntese da emoção, dos rastros luminosos que ela
traz em seu trabalho. Quase uma brincadeira: afinal, alguém habitou
aquelas paredes , a existência e a permanência deste alguém
está naquele objeto, ao mesmo tempo atemporal, universal, poderia
ser qualquer parede. Não é. Detalhes são a forma
que a fotógrafa encontrou para marcar a memória do espaço,
que passa a existir agora, não só na arquitetura ou nas
lembranças, mas também no papel. Um estudo do olhar, um
exercício do aprender a ver. Rastros, sinais singelos, ingênuos
até, mas por isso mesmo fascinantes.
Inaê sabe o que quer contar e como. Domina seu estilo e sua linguagem
- fruto da sua formação nas artes plásticas, do seu
estudo e da sua busca na compreensão da cor. Sabe que o referente
não tem mínima importância. Sua emoção
e sua memória são pinceladas de luz.
Simonetta Persichetti
Jornalista e crítica de fotografia
Exposição
realizada em agosto de 2001 no Centro Cultural São Paulo dentro
do Programa Anual de Fotografia
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